Os cabeças brancas

Os cabeças brancas

Ela aparentava ter trinta anos. Ontem entrou no meu carro. Contou que estava saindo da balada àquelas horas:duas da manhã. Sozinha, entrou no carro. Iniciou a nossa conversa. Falou que tinha três filhos. Resultados das baladas. Diante do fato, o motorista perguntou com quem ficavam os filhos durante o período em que ela estava na balada. Com minha mãe. Respondeu ela. O motorista pensou: filhos dos filhos sendo criados com os avós que deveriam estar descansando e aproveitando o tempo. No entanto, hoje em dia, muitos avós quando não criam os netos, são babás dos netos, levam e buscam os netos nas escolas. Vivem, depois de idosos, literalmente para os netos. Alguns casos por necessidade do mundo atual(trabalho) muitos por serem filhos folgados(baladas, viagens) que colocam as suas responsabilidades em criar os filhos nas costas dos avós e vão para baladas, viajam com seus pares . Os filhos ficam com vovó e vovô como se estes não tivessem direito de usufruir do seu tempo na velhice. Esta passageira, disse-me, ontem que hoje viajaria para o Rio de Janeiro com seu novo namorado e que os filhos ficariam na casa dos avós. Daqui a nove meses, possivelmente haverá mais um rebento para os avós criarem. Nos condomínios o que se vê são senhoras e senhores de setenta oitenta anos empurrando carrinhos com bebês. Avós prestando serviços de babá, grátis para os seus filhos. Nas escolas, tanto na entrada quanto na saída, percebemos tantas cabeças brancas empurrando malas dos netos  e os conduzindo para a entrada ou recebendo os netos nas saídas das escolas. Em muitos casos, hoje em dia, os avós se mudam literalmente para as casas dos netos recém nascidos para deles cuidarem. Mas a minha passageira, que tem três filhos cuidados pela mãe, hoje viajou com seu novo namorado para o Rio de Janeiro e os cabeças brancas que cuidem dos seus três filhos. No próximo ano podem ser quatro. A justificativa. Quem cuida de três, cuida de quatro. Fácil.






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