A formanda, a beca e os sapatos.
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Autor: José Francisco
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Sexta-feira à noitinha em Brasília. Estava eu passando pela SQN -Superquadra Norte 311, quando escutei uma chamada de cliente ao celular. O aplicativo indicou que eu deveria buscar a cliente na SCLN-Setor Comercial Leste Norte 211. Acionei, no celular, o botão indicativo de início da corrida e fui para o local de embarque. Encostei o carro e vi um rapaz acenando para mim, portanto um celular. Aquele seria o passageiro? Parei o carro. O rapaz veio até à janela do meu carro e disse que a corrida seria para a sua irmã. Solicitou que eu aguardasse um pouco que ela estava vindo. Logo apareceu uma garota de aproximadamente 17 anos e uma senhora que a acompanhava. A senhora disse que a garota era sua filha e que estava se formando. A garota iria à cerimônia e ao baile de sua própria. A jovem terminara o Ensino Médio. A mãe solicitou que eu levasse a sua filha até a um clube em Brasília. Neste clube, ocorreria a festa de formatura e, logo após, o baile. Disse que a formanda precisava chegar mais cedo tendo em vista que ela iria trocar de roupa no próprio local da cerimônia. Disse me a senhora, que ela e os outros familiares, iriam depois.
A formanda entrou no carro, tendo em uma das mãos um cabide com a beca e na outra mão um par de sapatos pretos com saltos altos, próprios para festas. A garota entrou no carro um tanto ofegante. (Eu disponibilizo, para meus clientes,
dentro do carro, várias informações, impressas, a meu respeito como os registros das viagens que já realizei pelo mundo).
Quando ela leu que eu já fora à Nova Iorque, ela me disse que o seu sonho era jogar futebol (soccer) nos Estados Unidos da América. Eu brinquei com ela e perguntei se ela falava inglês. Ela respondeu que sim. Neste momento eu a convidei a mantermos nosso diálogo, a partir daquele momento, em inglês. Ela concordou e começamos a conversar em inglês. Lá pelo meio da viagem, ela disparou: nós falamos inglês muito mal, mas estamos nos comunicando. Isto é bom. Sorrimos muito. Continuamos nossa divertida conversa em inglês até ao local de destino. Antes do desembarque, entreguei-lhe meu cartão de visitas e desejei-lhe boa noite e uma ótima festa. Ela saiu correndo do carro. Estava com muita pressa. Posicionei o carro um pouquinho mais adiante, em segurança. Fiquei por uns 10 minutos parado verificando algumas mensagens ao celular. Eu estava absorto em meus pensamentos, olhando para o celular, quando de repente escutei forte pancadas no vidro do carro. Pensei que fosse um assaltante. Em sobressalto, olhei para o vidro e pude perceber a silhueta do rosto de uma mulher. Era a formanda com o rosto colado no vidro da janela do motorista. Com as duas mãos forçava, em desespero, a abertura da porta do carro. Abaixei o vidro e ela gritou: moço graças a Deus que o Sr. não foi embora. Eu esqueci a minha beca em seu carro. Ato contínuo, ela abriu a porta do passageiro, tateou sobre o banco traseiro e pegou o cabide com a beca, que houvera esquecido sobre o banco traseiro do carro. Saiu correndo, dando glória a Deus. Eu ainda vi o seu vulto desaparecendo entre as pessoas que estavam chegando.Sumiu na entrada do clube. Fiquei pensando no desastre que seria se a formanda tivesse chegado à festa sem a beca. Qual seria a solução para resolver o problema? O que seria dela? Fiquei sorrindo e satisfeito por ela ter se lembrado, ter voltado e me encontrado. Liguei o carro e fui para casa. Após uns dez minutos da minha chegada em minha casa, o telefone tocou. Olhei para a tela e vi um número estranho. Mesmo assim atendi. Um voz masculina do outro lado da linha perguntou eu era o Sr. José motorista do Uber. Respondi que sim. Ele perguntou se eu era o motorista que havia levado uma jovem ao clube para formatura. Eu respondi que sim. Eu disse que ela havia esquecido a beca no banco do carro e que voltara para pegar. Então o rapaz falou: por favor verifique em seu carro se tem um par de sapatos com saltos altos. Minha irmã disse que esqueceu os sapatos dentro do seu carro. Saí da sala, desloquei-me até a garagem, conversando, ao telefone, com o rapaz e sorrindo muito. Fui até ao carro. Ao abrir a porta, no acender da luz pude perceber que lá, sobre o tapete, estavam os sapatos que seriam usados pela garota na festa. Falei para ele que sua irmã havia esquecido os sapatos dentro do meu carro. Eu falei para ele que eu poderia levar os sapatos para sua irmã naquele momento. Ele falou com firmeza que não precisa levar pois a irmã já conseguira trocar, com alguém, suas sandálias por um par de sapatos adequados à festa. Que ela já estava no auditório aguardando ser chamada para receber o “canudo” de formatura. Ela queria apenas saber se os sapatos estavam em meu carro e que depois os pegaria comigo. O rapaz agradeceu e nos despedimos ao teleone. Bem, os sapatos estão, até hoje no porta malas do meu carro. Até hoje estou esperando o telefonema da garota para lhe devolver os sapatos. Garota, me liga, para eu lhe devolver os seus sapatos...

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